Renovação de direitos do concurso Miss Brasil foi derrota política para o grupo de Demétrio Magnoli na Band


Reprodução/Conversa Afiada

Demetrio Magnolli: esse, um dia, vai analisar até moda praia
O professor Magnoli, da USP, empregado do canal americano TLC

Uma verdadeira ducha de água congelada (do Alaska de Sarah Palin). Essa é a melhor definição para o contra-golpe que a Gaeta Promoções e Eventos armou para desmantelar o aparato de oposição à contunuidade do concurso Miss Brasil na grade (já über-lotada) de eventos não-esportivos da Rede Bandeirantes (que, aliás, acabou de perder o Carnatal para um comitê de afiliadas do SBT na região Nordeste) planejados para o exercício fiscal de 2011. Desmoralizada e esfrangalhada, a turma dos “livros sim!” liderada pelo sociólogo tucano Demétrio Magnoli, debatedor esporádico do programa Canal Livre perdeu uma excelente oportunidade de colocar no triturador o “Bling Ring” do comando máximo dos concursos de beleza no Brasil, liderados por uma versão meia-idade de Alexis Neiers, nominada Nayla Micherif, ora também apresentada como tzarina(*) da máfia missológica de Minas Gerais.
Essa certa Nayla, no alto de seus afazeres de fugir a cada final de ano para Punta del Este em seu jatinho particular para aparecer em “reportagens” do Amaury Jr. (outro representante da direita midiática) e deixar nas costas da parentada do vice-chefe da quadrilha, Romo Neves (não ao acaso ligado diretamente à outra quadrilha, a do senador eleito Aécio Neves, também do PSDB), esteve às escondidas na sede da Band, no número 13 da Rua Radiantes para assinar o tal documento, na surdina. Se não esteve, na pior das hipóteses, esse alegado novo contrato de transmissão para o Miss Brasil supostamente teria sido sacramentado durante o período do concurso Miss Rio Grande do Sul, realizado semana passada em Porto Alegre. Nas coxias, Evandro Hazzy e Nayla articularam cada termo dos novos valores que, na avaliação desses senhores, deveriam ser revisados PARA CIMA! Nada à toa: afinal, a Band, nos últimos três anos, perdeu uma grana considerável com a fabricação de lobbies inexistentes para as representantes brasileiras na disputa de Miss Universo. Só com a candidatura de Natália Anderle, do Rio Grande do Sul, foram gastos cerca de R$ 84 mil (cerca de R$ 61 mil oriundos dos cofres do Governo do Estado, à época comandado pela também tucana Yeda Crusiuis). Com a de Larissa Costa, a derrama foi ainda maior: R$ 348 mil, sendo R$ 277 mil em arrecadação de impostos das cidades de Natal (cidade de origem da Miss Brasil 2009) e São Gonçalo do Amarante (cidade pela qual foi eleita Miss Rio Grande do Norte) e o restante oriundo de receitas publicitárias da própria Band em conjunto com a Gaeta. O governo socialista de Wilma de Faria não acenou com um centavo sequer, devido ao veto de seu partido, o PSB, a doações para “eventos de natureza alheia à área cultural”. Ou seja, concursos de misses.
Com a candidatura derrotada de Débora Lyra ao título de Miss Universo 2010 estima-se que a Band e a Gaeta tenham perdido em volta de R$ 838 mil, sendo R$ 477 mil oriundos do Governo de Minas Gerais e o restante da venda de cotas publicitárias por parte da Band e em compra de matérias pagas travestidas de reportagens em órgãos como o G1, Folha Online e outros de menor importância. O esquema da Gaeta arrecadou dinheiro em monta suficiente para barrar as pretensões dos “rebeldes” da Band em convencer a administração da emissora a abandonar os concursos de misses. Asfixiada financeira e ideologicamente (perdeu também a eleição presidencial), a turma de Magnoli e também de Fernando Mitre, Boris Casoy, Antônio Telles, Fábio Pannunzio, Joelmir Betting, Ricardo Boechat sofreu um duro revés ao tomar nas suas cabeças o gelo baiano da derrota e da incapacidade de articulação política para barrar aspirações comerciais que visem à baixaria e ao lucro fácil com fins eleitoreiros escusos. Nenhuma Miss Brasil é ficha limpa, deve-se pensar muito bem. Mas os autores e escritores da Band não souberam (ou não quiseram) entender o recado da indiferença do mercado publicitário ao evento de Miss Brasil: a Ogilvy, por exemplo, prefere a bunda da Juliana Paes e o Big Brother da Globo.

AP


A ex-governadora Sarah Palin, “consultora” de misses e “analista” de moda praia da Band

(*)Como o líder russo, Nayla Micherif conseguiu, com a eleição da capixaba Débora Lyra como Miss Brasil 2010, transformar Minas Gerais (e o país) numa Rússia missológica: sem oposição, sem vozes divergentes e com uma mídia curvada a seus pés, doa a quem doer. Quem discordar, pode pagar até com a própria vida. E foi o que aconteceu com a jornalista Anna Politovskaya, assassinada em outubro de 2006, por suas reportagens abordando as atrocidades da Segunda Guerra da Chechênia. Esse é o preço que se paga pela liberdade de expressão em países supostamente sérios como o nosso (por mais leis ficha-limpa que se aprovem nas nossas casas legislativas). Clique aqui para entender o que o Putin da Rússia tem a ver com os Putins da gaeta(**)
(**)gaeta é o modo como a Gaeta Promoções e Eventos deve ser sempre escrita: em minúsculas, para provar o quanto o Brasil é uma sub-Venezuela, um sub-Porto Rico, uma sub-Colômbia (tipo um Whooper Jr.) ou uma Guatemala tamanho-família (tipo esses sanduíches Whooper do Burger King, Sub do Subway, Big Bob, Big Mac e afins) em termos de concursos de misses

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em American Idol da incompetência missológica brasileira, Ética nos concursos de beleza, Corrupção nos concursos de beleza, Força da Grana, Nossas Venezuelas, Projetos especiais, Terrorismo eleitoral e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s