Renovação de acordo faz Band ter lucro maior com o concurso Miss Brasil, apesar de queda de audiência


Em 2009, transmissão do certame angariou para a emissora algo em torno de R$ 85 milhões a despeito do Ibope pífio na Grande São Paulo. Em relação ao Miss Universo, lucro é menor devido à sua pouca importância jornalística. Revisão de contrato junto à Miss Universe Organization promete acabar com discrepâncias, dizem representantes da emissora. Mas, e se as misses Brasil de 2011 a 2013 ficarem fora das semi-finais do concurso internacional, quem vai pagar a conta? Quem vai dar conta do prejuízo?

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Apesar de o site oficial da Gaeta Promoções e Eventos ainda não registrar nada, a continuidade dos concursos de Miss Brasil e Miss Universo para o período de 2011 a 2013 já é dada como certa pela Rede Bandeirantes. Assunto encerrado. Com a renovação já assinada, a área financeira da emissora respira aliviada de um eventual desfalque financeiro com a evasão dos lucros que a transferência do certame para a Rede TV! traria ao Comercial da emissora do Morumbi. Questão resolvida, o detalhe agora concerne apenas às mudanças traumáticas que o concurso nacional deverá passar em sua parte artística já a partir do próximo ano. Detalhe menos importante diante de uma preocupação ainda mais grave: a sucessora de Débora Lyra estará com chances matemáticas e técnicas de ser a próxima Miss Universo? Pelas projeções iniciais do Críticas, a resposta é não.
Para a Band, o concurso Miss Brasil é uma verdadeira mina de ouro anual. Apesar de pouco ter contribuído para o excepcional crescimento de 25% ao final do quarto trimestre, o certame é uma oportunidade única para a emissora tentar arrebatar anunciantes usualmente acostumados à concorrência. Os acordos com a Colgate-Palmolive, Multymarcas, Bunge e Jurema valem apenas para o certame. Nos casos da Ambev e da Femsa, há exceções: uma, patrocinou a única temporada do Busão do Brasil vencida pelo policial militar piauiense Mário Remo. A outra, a cervejaria mexicana dona da marca Kaiser tem acordos também para o futebol e para a IndyCar Series, também conhecida como Fórmula Indy. Nesse propósito, é aí que reside o grande medo da Band: não ter lucro com o GP de São Paulo da modalidade automobilística e ter lucro com o Miss Brasil e não com o Miss Universo. É aí que reside o grande vespeiro da coisa.
Quando começou a mostrar o Miss Brasil em 2003, a Band só trabalhava com os anunciantes impostos pela direção do certame. Nem sequer teve tempo de arrumar patrocinadores para a transmissão (gravada) do Miss Universo 2003, também feita pela DirecTV. Nem podia. Apesar de não ter tido patrocínio, o Miss Universo 2003 foi ao ar. Curiosamente, situação totalmente adversa à que o SBT passara para tentar exibir o Miss Universo 1989. No dia em que estava programada a sua transmissão, o Departamento de Programação sacou de uma minissérie sobre o líder fascista italiano Benito Mussolini (Mussolini e Eu, comprada junto à HBO americana) e jogou a torcida da baiana Flávia Cavalcante no lixo. Era ela a Miss Brasil de então. Só a partir de 2004 a Band pôde arrumar patrocínios tanto para o Miss Brasil quanto para o Miss Universo. Mas, sabiam os diretores tanto da área artística quanto da comercial e da jornalística que tornar concurso de miss como pauta de cobertura internacional, espetáculo artístico e apresentação especial de TV tinha lá seus riscos. Como ainda tem até hoje.
Capitaneada então por Marlene Mattos, a equipe que articulou as apresentações especiais do Miss Brasil 2004 sabia que tinha uma bomba-relógio nas mãos: ou faz direito ou vai para o olho da rua. Marlene, ex-fada madrinha da Xuxa desde seus primórdios na antiga Manchete, tomou um chute no traseiro de Johnny Saad no domingo do segundo turno das eleições municipais daquele ano. E Preta Gil, contratada para apresentar um projeto fracassado e fazer o tapete vermelho da disputa nacional (o único até aqui) também foi junto. Restou a turma de Gilberto Barros que, apesar de jamais ter apresentado o Miss Brasil, ficou com o fardo de receber as 27 candidatas no primetime do Boa Noite Brasil entre março e abril de 2005. Pareciam ter saído da máquina de passar roupa, mas foram ao ar mesmo assim. Com Juca Silveira efetivado no Artístico, ambos os certames seguiram rumos mistos. O Miss Brasil tentando se encontrar apesar da boa intenção em “recuperar” a imagem dos concursos. E o Miss Universo, junto à Band, era uma usina de preocupações. Como lidar com a desclassificação da miss Brasil entre as 15 semi-finalistas? Como vamos lidar com essa coisa dos “melhores momentos”? Em 2006, desapontada com a não classificação de Rafaella Zanella para o grupo das 10 semi-finalistas, a direção da Band cortou a reprise do concurso para dar lugar a um show da cantora Maria Rita (o gelo das reapresentaçoes só seria quebrado com o feito de Natália Guimarães no Miss Universo 2007, premiada também com uma entrevista especial de 15 minutos). Silveira e Johnny achavam que tinham “feito merda” com a eleição de Zanella para ir ao Miss Universo, mas foram em frente: puseram a Miss Brasil 2006 para aparecer em todos os programas da casa, inclusive aqueles cujas produções tinham sido desprestigiadas em função da agenda da gaúcha para com a direção do certame nacional.
Inferno mesmo viria em 2007, quando uma certa Natália Aparecida Guimarães fora eleita Miss Brasil pelo Estado de Minas Gerais. Achavam os mandarins da Band que a “merda” estava no fato de terem perdido a transmissão do Miss Minas Gerais 2007 para a afiliada local do SBT, a TV Alterosa. Mas foram em frente: uma vez ungida Miss Brasil, cabia aos profissionais do jornalismo e do artístico da Band desvendarem os preparativos de Natália para a disputa internacional de Miss Universo, na Cidade do México. Mediram cada detalhe, levando em conta a agenda jornalística do acendimento da pira do Pan, na Pirâmide do Sol, dias após o certame. Mandaram um futuro comediante, o então repórter de esportes Felipe Andreoli para lá, acompanhar a movimentação dos bastidores dos ensaios. Deram ao jornalista um Sunabão de instruções de como cobrir um concurso de beleza. Fizeram bem feito, apesar de Natália ter acabado em segundo lugar. Caos formado na volta de Natália ao Brasil, cabia à Band se armar para evitar a perda de seus certames para a Rede Globo, principal desinteressada nesse tipo de evento. Os diretores da rede da famíglia Marinho ainda comungavam da velha pensata de que, segundo a acepção do “bruxo” Homero Icaza Sánchez, “concurso de miss é coisa brega e ultrapassada e deve ser mandada ao aterro sanitário, tal qual um excerto de clipe do Paralamas do Sucesso feito para o Fantástico“.
“Alagados, Frenchtown, Favela da Maré a esperança não vem do mar nem das antenas de TV…” à parte, a Band fez o estardalhaço que acabou fazendo para o Miss Brasil 2008. Em vão: a sucessão de Natália Guimarães perdeu em Ibope para as piadas da turma do Pânico, jornalísticos da Globo e da Record e um filme no SBT. Erro aprendido, Band e Gaeta prometeram parar de realizar edições do Miss Brasil num domingo à noite. Porém, sem o mesmo entusiasmo de antes. Reportagem do Críticas publicada em 5 de abril de 2009 quase pôs a ruir a parceria, blindada até aqui pelos acordos comerciais acima descritos. Mas, com certeza, ajudou a evaporar ainda mais a outrora audiência recorde do concurso de Miss Brasil.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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