Band pode perder os direitos de transmissão do Miss Universo já neste fim-de-semana; clima no Morumbi é de velório com o fim do acordo com a gaeta(*)


Rede TV! está a um passo de assinar o contrato para exibir certame em TV aberta; ida de Gimenez e de Carvalho aos EUA pode selar acordo decisivo para a missologia nacional

Da redação TV em Análise

Com a viagem de Luciana Gimenez e Marcelo de Carvalho a Nova York neste fim-de-semana, começa a tomar corpo a negociação final do acordo entre a Rede TV! e a Miss Universe Organization com vistas à compra dos direitos de transmissão do concurso Miss Universo em sistema aberto para o Brasil já a partir de 2011. O contrato da MUO com a Rede Bandeirantes acabou em agosto último e a emissora dos ruralistas da família Saad, donos de 16 fazendas, perdeu o direito de preferência na renovação do acordo. Bem feito.
Tamanho fisiologismo que a Band fez para perder os concursos de misses para a concorrência somente lhe contou pontos contra. Já não bastassem os editoriais agressivos contra o governo Lula e as sandices anti-política de cotas raciais nas universidades de comentaristas do Canal Livre, espécie de Meet the Press da direita golpista, a masturbação ideológica de diretores da emissora em cima dos nomes de vencedoras de concursos nacionais por ela promovidos acabou por arranhar de morte a imagem de boa moça da cúpula responsável pelo concurso Miss Brasil (com a qual, meia dúzia desses diretores ainda mantém acordos político-partidários). Jogar Débora Lyra no lixo de programas de fofocas tipo Videonews foi a gota d’água para as possibilidades de continuidade da disputa nacional na emissora. Perderam uma parte da parada. Mais grave: não levaram em conta que concurso de Miss Universo é evento de cobertura jornalística, não apenas de transmissão direta e irrelevante. Jogaram essa oportunidade fora.
Nota da colona(**) de Flávio Ric(c)o no UOL(****) deste sábado dá a pista clara do assunto:

“Luciana Gimenez e Marcelo Carvalho passaram esta última semana adiantando gravações dos programas Mega Senha e Superpop.

Ontem à noite, os dois seguiram para os Estados Unidos, em nova viagem de negócios e lazer, segundo confirma a própria Rede TV!”.

Por “viagem de negócios e lazer” entenda-se o fechamento mais do que certo do contrato com a organização do Miss Universo fora outros acordos. Com a birra ideológica praticada entre os diretores da Band contra os concursos de beleza, tidos pela ala mais radical e ideológica como “bregas”, “nojentos” “apelativos”, “degradantes”, “exploração da mulher” e “ultrapassados”, a rede do Morumbi, vizinha não ao acaso de um certo “Palácio Band”, joga para o alto um faturamento que, no frigir dos ovos, não representava nada nem coisa nenhuma diante dos R$ 35 milhões que faturava anualmente com a exibição do Miss Brasil (para se ter uma ideia, a exibição do Miss Universo 2010 pela emissora rendeu menos de R$ 4 milhões a seus cofres – um faturamento irrelevante e inócuo). Em tese, a Band se livrou do que Fernando Mitre definiria algo como sendo uma mala-sem-alça, um evento sem utilidade alguma. “Desliga essa porcaria”, diria um diretor de jornalismo altamente exaltado com as reportagens dedicadas a concursos de misses no Jornal da Band. Procurado pela produção do American Idol, o jornalista Fábio Pannunzio não quis se manifestar sobre os adjetivos pesadíssimos que disparara não só contra Donald Trump, mas principalmente contra os coordenadores brasileiros do Miss Universo.
Entre os poucos diretores da Bandeirantes que defendiam a permanência dos concursos de misses na sua grade, o clima que era de festa em outros tempos agora deu lugar à desolação e ao desapontamento. “Fazer o quê? Agora que o [Marcelo] de Carvalho e a [Luciana] Gimenez vão tirar o Miss Universo da gente [Band], não temos mais motivo algum para torcer por miss no Brasil”, diz uma das fontes que pediu para não ser identificada. “Tivemos bons momentos com esses concursos mas agora achamos que já é hora de investir na nossa raiz, de canal do esporte, de canal dos grandes eventos esportivos, do vôlei, etc.”, vaticina outro diretor com larga experiência de emissora. O que, aparentemente pode ter contribuído para a corrosão do concurso Miss Universo junto à TV Bandeirantes (e, por tabela, do Miss Brasil) foi a oposição ferrenha do novo diretor artístico da casa, Hélio Vargas, que em sua época de SBT foi encarregado por Sílvio Santos de jogar os certames na lata do lixo para serem resgatados depois pelos ruralistas da bancada Saad. O fundamentalismo de muitos de seus jornalistas e ex-jornalistas e a relutância destes (boa parte com vários anos de casa) em atender pautas sobre concursos de misses (especialmente fora do Brasil) detonou por terra abaixo a aspiração da Band de, ao mesmo tempo, ser o canal das misses e do desporto brasileiros (neste último caso, amparada por acordos de cessão feitos com a Rede Globo). A aliança da Band com a Globo, iniciada em 2007, pode não ter nada a ver com o tópico do Miss Universo ou do Miss Brasil, mas não deve deixar de ser considerada coisa grave para a destruição lenta e gradual da indústria missológica brasileira, reduzida a blogues e fóruns especializados na Internet que não resolvem nada, nem formam opinião. Com a Rede TV!, o segmento de concursos de misses no Brasil pode receber algum alento, embora de pequena repercussão. Já vai tarde.

(*)gaeta é o modo como a Gaeta Promoções e Eventos deve ser sempre escrita: em minúsculas, para provar o quanto o Brasil é uma sub-Venezuela, um sub-Porto Rico, uma sub-Colômbia (tipo um Whooper Jr.) ou uma Guatemala tamanho-família (tipo esses sanduíches Whooper do Burger King, Sub do Subway, Big Bob, Big Mac e afins) em termos de concursos de misses
(**)Não tem nada a ver com cólon da Gyselle Soares. São milicianos de redação do PIG(***) engajados em derrubar o presidente Lula e promover a volta da direita ao poder, a exemplo do que ocorreu no Chile. E assim se comportarão sempre que uma participante de reality-show tiver origem no Estado mais pobre da Federação e não no capital (da elite branca-separatista de São Paulo) e um presidente tiver origem no trabalho e não no capital, no Brasil, no Mundo, na história da exploração espacial (antes da aposentadoria dos ônibus espaciais), da entrega do Oscar, do Super Bowl e do American Idol. São jornalistas que, de acordo com Mino Carta, chamam seus patrões de colegas. É essa gente aí que fraudou o resultado do Miss Brasil 2010 para favorecer a capixaba Débora Lyra, usando indevidamente a faixa de Miss Minas Gerais na etapa nacional do Miss Universo
(***)In none serious democracy in the world, conservative, low-quality and even sensationalistic newspapers and only one television network matter as much influence as they do in Brazil. They have become a political party, the PIG (Pro-Coup Press Party). These are their stories
(****)UOL é o braço de Internet do Grupo Folha(*****) em associação com a Abril-Naspers, que, quando governou a África do Sul, apoiou o regime de apartheid que manteve Nelson Mandela na cadeia por 27 anos. E, durante os 15 anos de governos tucanos em São Paulo, ofereceu assinaturas de suas revistas sem licitação (inclusive livros pornográficos) às escolas públicas do Estado.
(*****)Folha é o jornal que não se deve deixar a sua tataravó ler porque publica palavrões e mostra sem censura os seios, os pêlos pubianos, a vagina e a bunda da miss Pernambuco 2008, Michelle Fernandes da Costa, em revista masculina publicada a poucos dias de passar a faixa à sua sucessora, em março de 2009. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Cássio Cunha Lima DEPOIS de cassado e pergunta o que ele achou do processo no TSE, da ditabranda, do câncer de Fidel, da ficha falsa da Dilma, das mulheres-fruta, das ancas da cantora Jôsy, do ódio a piauienses encampado pelo Rafinha do Emocore, da Carla Perez lecionando “i” de iscola, da Rayanne Morais “eleita” Miss Brasil 2009 pelo site EGO, ligado à Globo (sócia da mesma Folha no jornal de negócios Valor Econômico), que vestiu FHC com o manto de “bom caráter”, porque levou dezoito anos para reconhecer um filho seu fora do casamento (com uma jornalista empregada da Globo), que mandou a Diane Sawyer da Globo News avacalhar o cantor itainopolense Frank Aguiar por causa de um filme e de uma entrevista sórdida com uma aspirante a aspirante a aspirante de celebridade paulista a uma aprendiz de Oprah do Primetime da Rede TV!, que publicou texto sórdido de um professor de comunicação da USP sobre o Miss Universo 2007, que ainda fala mal do Saulo Roston (vencedor do Ídolos 2009), que matou o senador paulista Romeu Tuma e depois o ressucitou, mandou a Mariska Hargitay falar mal do Piauí e a Tamara Tunie, o Ice-T e o Christopher Meloni bancarem o Sérgio Ricardo quebrando o violão no Festival da Record de 1967 em Law & Order: Special Victims Unit , deixou o elenco de Law & Order: Criminal Intent e o Robin Williams avacalharem o Brasil em seriado da USA Network e programa de entrevista da CBS, é o que é porque o dono é o que é e que, quando a mineira Elaine Parreira Guimarães ficou em quinto lugar no Miss Universo 1971, emprestava os carros de reportagem aos torturadores.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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