Impressões do domingo eleitoral: bancada da gaeta(*) se fortalece com Aécio e Itamar e perde Jerissati


Mario Anzuoni/Reuters

Steven Tyler, Jennifer Lopez e Randy Jackson, jurados da décima temporada de "American Idol"
Vamos seguir cantando, federal é Kiko, estadual é Leandro…

Além de ter solidificado o seu feudo eleitoral, o governo de Minas Gerais, a direção da gaeta(*) promoçõe$ e evento$ via PSDB/PPS angariou outras importantes vitórias no Senado Federal.
Emplacou Itamar Franco e Aécio Neves como defensores de seus lobbies junto às Organizações Globo, ao Grupo Bandeirantes, ao movimento Cansei, à UDR e ao Instituto Millenium. Ambos irão, na Câmara Alta, fazerem campanhas para a compra de votos dos jurados das edições do Miss Universo de 2011 a 2018. Itamar, como se sabe, entende de mulher como ninguém. Vide o caso do “calcinhagate” no Carnaval carioca de 1994.
Já Aécio dispensa maiores apresentações. Durante seus oito anos no Palácio da Liberdade, Aécio distribuiu verbas de patrocínio para a etapa mineira do Miss Brasil-Miss Universo em detrimento de setores essenciais como educação, saúde, saneamento básico e segurança pública, por exemplo. Fez isso em 2008, nas costas dos contribuintes do ICMS e dos pagadores do IPVA, com transmisssão nacional da Band. Obrigou a imprensa sulista a “ungir” Rayanne Morais como Miss Brasil de 2009 e a fez eleger Débora Lyra como a atual Miss Brasil. Comprou votos de diretores da Band e de empresas patrocinadoras do certame. Armou a fraude que todo mundo já conhece.
(Anastasia, como se sabe, vai continuar toda a desgraça já para o Miss Brasil 2011, já que o Miss Minas Gerais 2011 já estava vendido antes mesmo das convenções partidárias de junho. A lei eleitoral proibe que concursos de beleza recebam patrocínio estatal em época de campanha).
Golpe grande veio no Ceará: a coordenadora da etapa estadual do Miss Brasil, Jorlene Cordeiro, não fez campanha para Tasso Jerissati. Traiu seus padrinhos políticos e parceiros comerciais (entre eles a TV Diário, coligada à afiliada local da Globo, a TV Verdes Mares). Fez coro para José Pimentel e Eunício Oliveira, os senadores de Lula, Dilma e do governador reeleito Cid Gomes (PSB). (On Purpose of This: quanto de dinheiro público foi posto na transmissão do Miss Ceará 2010?).
***
Girando pelo país, no Rio de Janeiro, sub-sede da gaeta(*) (a sede de facto fica em Belo Horizonte), o peemedebista Sérgio Cabral (Filho) impôs ao ecologista-verde-globelezado Fernando Gabeira uma sova histórica: 66 a 20%, descontados os centésimos. Cabral, como o reino mineral já sabe, cultiva uma relação muito distante com a gaeta(*): quando a capital fluminense/carioca perdeu a sede do concurso Miss Brasil em 2008 para São Paulo, o ocupante do Palácio das Laranjeiras tratou de reverter toda a verba de publicidade que seria (ou, nos anos Garotinho, era) utlizada para o certame nacional em ações emergenciais contra um surto de dengue. (No Paraná, Roberto Requião, agora senador, fez o mesmo ao tirar da RPC TV toda a verba oficial e revertê-la em obras. Com Beto Richa no Palácio Iguaçu, vai acontecer o oposto: usará-se o dinheiro do povo para patrocinar concurso de miss, corromper jurados de certame nacional e, caso a Miss Paraná vença o Miss Brasil, fazer o mesmo no Miss Universo).
Na Santa e Bela Catarina da fraude siliconada de Aline Zermiani, Raimundo Colombo (DEM) deixou Angela Amin (PP) na lona, com o respaldo do Grupo RBS. Fenômeno inverso ocorreu justamente no lar dos Stuprotsky e de Evandro Hazzy: o ex-ministro das Cidades Tarso Genro (PT) acabou com a farra de recursos públicos feita pela tucana Yeda Crusius para bancar o lobby de Natália Anderle no Miss Universo 2008. Com 54,35% dos votos válidos, Genro, ex-prefeito de Porto Alegre, também colocou para correr o compositor José Fogaça. Tão colorado quanto Renata Courteney Cox-Arquette-Hargitay-Field-Close-Sedgwick-Nascimento-Love (Hewitt)-Fan.
Ou seja: onde há um governo democrático de esquerda, menores são as chances de uma candidata estadual se eleita Miss Brasil ter um lobby midiático que preste. O que existe hoje é um lobby golpista, reduzido aos Restos de Nada da oposição brasileira (Arthur Virgílio, Tasso, Gustavo Fruet, Jarbas Vasconcelos, Marco Maciel, Raul Jungmann, Antero Paes de Barros, José Agripino, César Maia, dentre outros) e ao monopólio da informação, exercido pela Globo/G1, Band, Grupo Folha(**), O Estado de S. Paulo, Editora Abril e UOL.
E, enquanto milícia política, a gaeta(*) “governa” três dos quatro Estados do Sudeste: no Espírito Santo, terra natal de Débora Lyra, o tucano Luiz Paulo Velloso Lucas amargou 15,50% dos votos válidos. Comeu poeira (e se engasgou nela) diante dos 82,30% atribuídos ao governador reeleito Renato Casagrande (PSB). (Attention!: não é parente do modelo/ator Carlos Casagrande, apenas mesmo sobrenome artístico).
(Em contrapartida, Débora Lyra manteve no Senado o cantor evangélico Magno Malta [PR]).
Em São Paulo, os missotecas da gaeta(*) não elegeram o Leandro do KLB (DEM) para a Assembleia Legislativa. Leandro do KLB, como até o Steven Tyler e a Jennifer Lopez sabem, namora(ou) a segunda colocada do Miss Universo 2007, Natália Guimarães. Dentro da gaeta(*), Leandro do KLB virou uma espécie de Antonio Salieri de tão péssimo jurado que foi no Miss Brasil 2009. E o Kiko, o que ele tem a ver com isso?
No Nordeste, o feudo da representante brasileira no Miss Universo 2009, a potiguar Larissa Costa, passa a ser controlado pela demotucana Rosalba Ciarlini. Falando em feudos, o Maranhão de Roseana Sarney continuará a bancar uma das cotas de patrocínio da etapa estadual do Miss Brasil-Miss Universo, supostamente televisionada pela Rede Mirante (outra afiliada da Globo). Sergipe, Pernambuco e Bahia (cujos erários não costumam patrocinar concursos de misses) também elegeram governadores de esquerda no escrutínio de ontem. Alagoas, Piauí e Paraíba puxaram as disputas para a segunda rodada, no dia 31. O caso do Ceará já foi exposto logo no início deste texto.
No Norte, cujos governos estaduais não dão a mínima para concursos de misses, a exceção fica com o Acre de Tião Viana. A preço de agora, o petista estaria reeleito com 50,45% dos votos válidos contra 49,25% do tucano Tião Bocalom (esse aí deve ser refratário a concursos de beleza até a última gota). Falando em refratários, Simão Jatene, amigo de primeira hora da Organização Romulo Maiorana (coligada da Globo), vai ao segundo turno com a governadora Ana Júlia Carepa, grande incentivadora do concurso Miss Pará, televisionado pela RBA/Band. Mas, e com Jatene no Palácio do Governo e o Miss Pará e o Miss Brasil fora da TV, como fica? Volta-se ao escalabro da era FHC e dos anos militares?
Fechando essa mega-turnê de números, o Distrito Federal de uma única Miss Brasil (Jacqueline Meirelles, 1987) ainda sob os escombros do Mernsalão do DEM que sediaria o concurso de 2010 vai para uma disputa morna de segundo turno entre o ex-ministro dos Esportes Agnelo Queiroz (PT) e Weislany Roriz, escolhida às pressas para ocupar o lugar do marido, o ex-governador Joaquim Roriz (PSC), barrado pela lei da Ficha Limpa (a mesma navalha em que estão Jader Barbalho, Paulo Maluf e Cássio Cunha Lima). Se a gaeta(*) quiser levar o Miss Brasil 2011 para Brasília, vai levá-lo para as ruínas de Pompeia. Será a mesma coisa que o Pink Floyd fazer um show para ninguém assistir.
Em Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB) não será o fiador da candidata do Estado ao título de Miss Brasil 2011. Usulamente, é a prefeitura da cidade-sede do Miss Mato Grosso (este ano foi Sinop) ou da vencedora do certame quem banca as despesas de estadia e inscrição para a disputa nacional, fora os organizadores. No Mato Grosso do Sul de André Puccinelli, peemedebista alérgico a concursos de misses, também é assim. Ou seja, as misses estaduais do Centro-Oeste que se lixem.

(*)gaeta é o modo como a Gaeta Promoções e Eventos deve ser sempre escrita: em minúsculas, para provar o quanto o Brasil é uma sub-Venezuela, um sub-Porto Rico, uma sub-Colômbia (tipo um Whooper Jr.) ou uma Guatemala tamanho-família (tipo esses sanduíches Whooper do Burger King, Sub do Subway, Big Bob, Big Mac e afins) em termos de concursos de misses
(**)Folha é o jornal que não se deve deixar a sua tataravó ler porque publica palavrões e mostra sem censura os seios, os pêlos pubianos, a vagina e a bunda da miss Pernambuco 2008, Michelle Fernandes da Costa, em revista masculina publicada a poucos dias de passar a faixa à sua sucessora, em março de 2009. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Cássio Cunha Lima DEPOIS de cassado e pergunta o que ele achou do processo no TSE, da ditabranda, do câncer de Fidel, da ficha falsa da Dilma, das mulheres-fruta, das ancas da cantora Jôsy, do ódio a piauienses encampado pelo Rafinha do Emocore, da Carla Perez lecionando “i” de iscola, da Rayanne Morais “eleita” Miss Brasil 2009 pelo site EGO, ligado à Globo (sócia da mesma Folha no jornal de negócios Valor Econômico), que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque levou dezoito anos para reconhecer um filho seu fora do casamento (com uma jornalista empregada da Globo), que manda a Diane Sawyer da Globo News avacalhar o cantor itainopolense Frank Aguiar por causa de um filme e de uma entrevista sórdida com uma aspirante a aspirante a aspirante de celebridade paulista a uma aprendiz de Oprah do Primetime da Rede TV!, que publica texto sórdido de um professor de comunicação da USP sobre o Miss Universo 2007, que fala mal do Saulo Roston (vencedor do Ídolos 2009), manda a Mariska Hargitay falar mal do Piauí e a Tamara Tunie, o Ice-T e o Christopher Meloni bancarem o Sérgio Ricardo quebrando o violão no Festival da Record de 1967 em Law & Order: Special Victims Unit, o elenco de Law & Order: Criminal Intent e o Robin Williams avacalharem o Brasil em seriado da USA Network e programa de entrevista da CBS, é o que é porque o dono é o que é e que, quando a mineira Elaine Parreira Guimarães ficou em quinto lugar no Miss Universo 1971, emprestava os carros de reportagem aos torturadores.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Água oxigenada, Ética nos concursos de beleza, Corrupção nos concursos de beleza, Nossas Venezuelas, Olivia Benson do tucanato da UDR, Poderes ocultos, Podres poderes, Projetos especiais, Realidade brasileira e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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