Assunto da semana: o Inferno, segundo Gordon Ramsay


Prato fino é estrela secundária em Hell’s Kitchen

Frederick M. Brown/Getty Images/CBS News


O chef e apresentador Gordon Ramsay, em aparição pública no Beverly Hilton Hotel, em Beverly Hills (EUA), no dia 2 de agosto: telebaixaria na cozinha

Com a estreia da quinta temporada do reality culinário Hell’s Kitchen em nova casa (agora no Liv, domingo, 21h), pode se entender tudo ou nada de programações desse gênero. Regada desde 2005 aos foras dados pelo chef inglês Gordon Ramsay nos competidores (quando o prato feito lhe desagrada ou dá ânsia de vômito), a atração da FOX americana, lastreada na fórmula inglesa, cultua o bizarro da gastronomia.
Em tempos de bizarrices em outras fórmulas pátrias de competição, como o Hipertensão da Globo, Hell’s Kitchen não chega perto do circo de horrores do Fear Factor brasileiro. No programa de Ramsay, titular de outros dois formatos (Kitchen Nightmares, que remodela restaurantes arruinados, e MasterChef, com propósito parecido a HK), a comida é detalhe menor diante da pressão exercida sobre os competidores. Um horror.
Fazer pratos requintados à moda dos colunáveis da Inside de Rivanildo Feitosa não é a grande premissa de Hell’s Kitchen. O que interessa ao público de HK não é ver comida fina ser preparada em um antigo estúdio de TV local de Los Angeles e sim ver cenas de sadismo, rancor, xingamentos e ódio por cobrança de resultados. Perto dessa pobreza de espírito culinário, Eliana e Ana Hickmann perdem feio. E muito.
Baixaria por baixaria, Hell’s Kitchen se afirma não pelo seu primor artístico (coisa que não existe). Mas pela fúria profana de ambiente de cozinha entre chefe e aspirantes a cozinheiros. Podem até criticar a mim, este caderno e este jornal, mas o fato é que a exploração emocional em alguns competidores beira o sensacionalismo psicológico e a grosseria escatológica. Coitados. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (3/10)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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