Forastieri: Videogames, educação, Ayn Rand, Débora Lyra, Magnoli, Bial, Kamel, Olivia Benson, Nayla, Renata Fan e Instituto Millenium


Ayn Rand/AP/R7


A escritora americana Ayn Rand: raízes no Big Brother Brasil

O texto que abre o fim-de-semana deste Críticas, marcado pelo big announcement do Grupo Claudino em aumentar o Teresina Shopping em um andar e mais 200 lojas (viva a concorrência!) não poderia começar em melhor forma. Da veia e da pena de quem colocou o Restart como “rock de verdade”, vide o massacre de ontem no VMB (Ryan Seacrest, você viu?) sai uma das melhores definições sobre o que são o PIG(*), a gaeta(**), Nayla Micherif, a UDR, a miss Brasil Débora Lyra, Renata Fan e todas as Olivias Bensons do Golpe do monopólio da informação. Com vocês, Ayn Rand, ou melhor, André Forastieri:

Dos videogames ao Instituto Millenium

Do R7

Ayn Rand é uma das pessoas mais influentes do Século 21. Mesmo tendo morrido em 1982. Fora dos Estados Unidos, é quase desconhecida. Lá é um ícone. Vende quase 300 mil livros por ano.
Rand criou um sistema filosófico que batizou de Objetivismo. É pró-feminismo, antiracista, antiautoritário e antirreligião. Também é baseado no individualismo extremo (ela escreveu um livro chamado A Virtude do Egoísmo) e no capitalismo laissez-faire, com supervisão mínima ou nenhuma do estado.
Suas ideias foram formatadas por dois lugares impiedosos: a Rússia revolucionária, de onde sua família teve que fugir quando ela era menina, e Hollywood, onde trabalhou como assistente de Cecil B. de Mille, figurinista e roteirista. Decolou como romancista – seu The Fountainhead (A Nascente), foi filmado com Gary Cooper. Em 1957, emplacou Atlas Shrugged, que resume os ideais do objetivismo.
Entre 1965 e 1982, foi musa e mentora de um grupo de jovens dedicados a promover sua filosofia. Da primeira turma deste Collective fez parte Alan Greenspan, entre 1987 e 2006, presidente do Federal Reserve, o banco central americano.
Foi sob a influência de Greenspan que aconteceu a mais radical desregulamentação do mercado financeiro, tirando dos Estados o poder de supervisionar de perto boa parte das atividades de bancos e fundos.
Quem mais é fã assumido de Ayn Rand? Christopher Cox, de 2005 até hoje, Diretor Geral da SEC – o “xerife” do mercado financeiro americano, inspirador da nossa CVM. A crise financeira de 2008 tem a ver diretamente com Ayn Rand.
Nem só políticos são seguidores do objetivismo, claro (embora haja muitos). Você pode ouvir o individualismo radical de Rand nos miniépicos do Rush – Neil Peart, o melhor baterista do rock, é “Randista”.

Também está nos trabalhos de quadrinista como Steve Ditko, cocriador do Homem Aranha, e Frank Miller – agora você entendeu Sin City e 300? E nas iniciativas de gente de internet como o bilionário Mark Cuban e Jimmy Wales, criador da Wikipedia.
Quer saber mais? A história é ótima e vale a pena se aprofundar. Em caso de preguiça, espere o filme. O projeto dos sonhos de Angelina Jolie e Brad Pitt é Atlas Shrugged.
Agora, o que isso tudo tem a ver com videogames? Ora, o universo de Bioshock é um mundo em que o objetivismo venceu. Ken Levine, produtor do jogo, é leitor e admirador de Ayn Rand – mas não um seguidor cego.
Andrew Ryan, o personagem que é o criador da cidade distópica Rapture, é sua versão para os típicos heróis randianos, “super-heróis, grandes personalidades mas com defeitos”, explicou.
“Vejo muita coisa positiva no positivismo, em acreditar que o indivíduo pode ser uma força mais central que um governo ou uma divindade. Concordo muito com Rand na maneira que penso sobre religião e política.
Bioshock é um jogo sobre o perigo de acreditar cegamente em qualquer coisa.”
Você não precisa saber de tudo isso para se divertir muito com Bioshock, o primeiro ou sua sequência, que se passa em um 1970 alternativo. O próprio Levine concorda: “tem gente que quer meditar sobre os temas e as metáforas, e tem gente que simplesmente gosta de explodir tudo.” Seja você um ou outro, desconfio que vai adorar Bioshock 2.
Ah, e para não dizer que a filosofia de Ayn Rand não teve suas influências no Brasil: clique aqui e visite o site do Instituto Millenium. Você vai encontrar muitos nomes conhecidos e influentes entre seus integrantes.
Até o Pedro Bial está lá! E depois, tem gente que ainda diz que os videogames não são educativos…

(*)In none serious democracy in the world, conservative, low-quality and even sensationalistic newspapers and only one television network matter as much influence as they do in Brazil. They have become a political party, the PIG (Pro-Coup Press Party). These are their stories
(**)gaeta é o modo como a Gaeta Promoções e Eventos deve ser sempre escrita: em minúsculas, para provar o quanto o Brasil é uma sub-Venezuela, um sub-Porto Rico, uma sub-Colômbia (tipo um Whooper Jr.) ou uma Guatemala tamanho-família (tipo esses sanduíches Whooper do Burger King, Sub do Subway, Big Bob, Big Mac e afins) em termos de concursos de misses

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Elliot Stabler da direita, Nikita da desgraça missológica brasileira, Nossas Venezuelas, Poderes ocultos, Podres poderes, Realidade brasileira e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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