Assunto da semana: a Toronto que não está no cartão-postal


A carga pesadíssima do drama policial de The Bridge

Divulgação/CTV

Fugindo um pouco dos padrões americanos usuais, a série canadense The Bridge (AXN, 3ª, 22h) chega à TV paga brasileira marcada pela crueza de seu enredo. Com uma vida curtíssima na CBS americana (foi cancelada após a transmissão de três episódios no verão de julho), a trama estrelada por Aaron Douglas (no papel do líder linha-dura Frank Leo) peca pela grosseria dos agentes das ruas. Dantesco.
Para aqueles que tanto reclamam do Ronda do Povão, The Bridge deveria servir não como um simples delineador entre o que é ficção ou realidade. Seria falsa modéstia. Mini-discussão à parte, a trama criada pelo ex-presidente da União de Policiais de Toronto, Craig Bromell, uma espécie de Beto Rego local, deu à forma de Frank Leo/Douglas a acepção perfeita para a crueza das ruas que não é mostrada nos cartões postais da cidade.
Com segunda temporada assegurada no Canadá pela rede CTV (parceira da CBS neste e em outros projetos como Flashpoint, aqui exibida pela Warner), The Bridge mostra ao mundo uma Toronto que os delegados da ODEPA não viram antes de escolhê-la como sede do Pan de 2015: marcada pela ponte da crueza da realidade social e pela música do The Black Keys, I Got Mine (2008). Som na caixa!

Entre a Toronto natal de Avril Lavigne e Alanis Morisette (em suas carreiras artísticas) e a Toronto de The Bridge existe uma ponte bem clara. A ponte das disparidades sócio-econômicas dos bairros de Rosedale e Saint James Town, realçada pela crueldade de certos agentes da segurança pública do Canadá, posta a nu pela denúncia cidadã dos flagrantes de vídeo. Fratura super-exposta. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (12/9)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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