A ditabranda da Folha(**) não é branda


Por Brizola Neto(*)
Do Tijolaço

O editorial da Folha de S. Paulo de hoje é de uma coerência deplorável. Exige, sem meias palavras, a entrega, para explorar como quiser, do processo montado pela ditadura – ou “ditabranda”, como já a chamou – sobre Dilma Rousseff.
O Folha de S. Paulo é um jornal que não teve vergonha de estampar uma suposta ficha do DOPS, que circulava pela internet e juntá-la com uma entrevista onde atribui a um companheiro de Dilma declarações sobre um suposto plano de sequestro de Delfim Neto. A ficha, obtida em sites de extrema-direita, não era dos arquivos do DOPS, como o jornal anunciou e o entrevistado negou ter dito o que a Folha diz que ele disse.
Na ocasião, ao “explicar” porque estampou a enorme ficha baseada apenas num e-mail recebido por “uma fonte”, a Folha diz, textualmente:

“Na apuração da reportagem do dia 5, o jornal obteve centenas de documentos com fontes diversas: Superior Tribunal Militar, Arquivo Público do Estado de São Paulo, Arquivo Público Mineiro, ex-militantes da luta armada e ex-funcionários de órgãos de segurança que combateram a guerrilha.”

Reparem: obteve “centenas de documentos”. Já não lhe bastam?
O que o jornal quer agora, ainda? Quer os detalhes das sevícias, dos choques elétricos, das bordoadas, do sangue secando sobre o corpo moído pelos animais da Gestapo tupiniquim?
Quer transformar a vítima em algoz?
Curioso é que um jornal que se bate contra uma suposta quebra de sigilo fiscal do qual nada vazou, que protesta contra um dossiê do qual ninguém soube o que continha queira, agora, detalhes de um processo instaurado e escrito no regime de tortura e do horror. O que quer com informações que, no desespero da dor, uns e outros diziam para se livrar dos sofrimentos lancinantes a que estavam submetidos, pendurados em paus-de-arara e atados a fios elétricos?
A Folha, embora se sinta tão poderosa quando se sentiam os beleguins da ditadura, embora ache que tem o direito de torturar “jornalisticamente” seus adversários, está se remoendo pelo fato de seu poderoso instrumento de condenação política , o STD – o Supremo Tribunal do Datafolha – ter falhado em sua missão.
Nem sob a tortura permanente de seus números inacreditáveis, a opinião pública se entregou.
A Folha de S. Paulo tem razão em achar a “ditabranda”. Queria mesmo que ela seja mais dura, inesquecível, e que estivesse em vigor, para evitar a ousadia do povo brasileiro em pretender ser dono de seu próprio destino.

(*)Deputado federal (PDT-RJ)
(**)Folha é o jornal que não se deve deixar a tataravó ler porque publica palavrões e mostra sem censura os pêlos pubianos, a vagina, a bunda e os seios da miss Pernambuco 2008, Michelle Fernandes da (Costa), em revista masculina publicada a poucos dias de passar a faixa à sua sucessora, em março de 2009. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Cássio Cunha Lima DEPOIS de cassado e pergunta o que ele achou do processo no TSE; da ditabranda; da ficha falsa da Dilma; das mulheres-fruta; do ódio a piauienses encampado pelo Rafinha do Emocore; da Carla Perez lecionando “i” de iscola; da Débora Lyra “eleita” Miss Brasil 2010 pelo site EGO, ligado à Globo (sócia da mesma Folha no jornal de negócios Valor Econômico); que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque levou dezoito anos para reconhecer um filho seu fora do casamento (com uma jornalista empregada da Globo); que manda a Diane Sawyer da Globo News avacalhar o cantor itainopolense Frank Aguiar por causa de um filme e de uma entrevista sórdida com uma aspirante a aspirante a aspirante de celebridade paulista a uma aprendiz de Oprah do Primetime da Rede TV!; publica texto sórdido de um professor de comunicação da USP sobre o Miss Universo 2007; fala mal do Saulo Roston (vencedor do Ídolos 2009); manda a Mariska Hargitay falar mal do Piauí e a Tamara Tunie, o Ice-T e o Christopher Meloni bancarem o Sérgio Ricardo quebrando o violão no Festival da Record de 1967 em Law & Order: Special Victims Unit ; o elenco de Law & Order: Criminal Intent e o Robin Williams avacalharem o Brasil em seriado da USA Network e programa de entrevista da CBS; é o que é porque o dono é o que é; das ancas da cantora Jôsy; quando a mineira Elaine Parreira Guimarães ficou em quinto lugar no Miss Universo 1971, emprestava os carros de reportagem aos torturadores.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Ética jornalística, Democracia, Elliot Stabler da direita, Olivia Benson do tucanato da UDR, Poderes ocultos, Podres poderes, Realidade brasileira e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

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