A audiência americana da quarta-feira, 16 de abril de 2014, noite de mais incertezas para o American Idol


Apesar do mau agouro da competição musical, FOX pensa em preservá-la por salário de apresentador

Da redação TV em Análise

Ray Mickshaw/FOX/Divulgação


“Quem quer dinheiro?”, diz o Sílvio Santos da FOX americana, sem amigos militares para obter barganha de concessão de canais de TV

Com um olho nos números decrescentes e outro no contracheque do apresentador Ryan Seecrest, a FOX começa a negociar a permanência do American Idol na grade para as temporadas 14 (2015) e 15 (2016). Apesar da pensata financeira (salário anual de US$ 15 milhões por temporada, no acordo assinado em 2009 – dados do The Hollywood Reporter), a competição musical perdeu 1,3 milhão de telespectadores em um intervalo de apenas quatro semanas. No escopo do horário nobre desta quarta-feira (16), a FOX registrou 8,4 milhões de telespectadores, média de 5,2 e share domiciliar de 8 pontos. A despeito desse cenário alarmante, a emissora conseguiu liderar.
Na vice-liderança, a CBS registrou 7,7 milhões de telespectadores, média de 4,9 e share de 8 tendo apenas Survivor de inédito. Atrás, a grade de reprises da NBC teve 4,7 milhões de telespectadores, média de 3,2 e share de 5. Na quarta colocação, a ABC registrou 3,8 milhões de telespectadores, média de 2,5 e share de 4 (Mixology foi o único inédito da casa). Por último, a The CW registrou 2,2 milhões de telespectadores, média de 1,5 e share de 2.
Entre os telespectadores na faixa de 18 a 49 anos, a FOX liderou com 1,9 ponto de média, contra 1,6 da CBS, 1,2 da NBC, 1,1 da ABC e 0,7 da The CW.
Hora por hora (horários da costa leste americana), os dados da Nielsen Media Research:

20h

CBS: Survivor: Cagayan (9,3 milhões de telespectadores, 5,7/10 domiciliar)
FOX: American Idol (8,2 milhões, 5,1/8)
NBC: Law & Order: SVU – reprise (4,7 milhões, 3,1/5)
ABC: The Middle – reprise (4,9 milhões, 3,2/6)/Suburgatory – reprise (3,6 milhões, 2,4/4)
The CW: Arrow (2,4 milhões, 1,7/3)

Líder 18-49: Survivor: Cagayan (2,2)

21h

FOX: American Idol (8,6 milhões, 5,3/8)
CBS: Criminal Minds – reprise (6,9 milhões, 4,5/7)
NBC: Law & Order: SVU – reprise (5,2 milhões, 3,5/6)
ABC: Modern Family – reprise (5,1 milhões, 3,3/5)/Mixology (3,7 milhões, 2,4/4)
The CW: The 100 (2 milhões, 1,4/2)

Líder 18-49: American Idol (2,0)

LEAD-OUT

22h

CBS: CSI – reprise (6,8 milhões, 4,5/8)
NBC: Chicago PD – reprise (4,2 milhões, 2,9/5)
ABC: Nashville – reprise (2,8 milhões, 1,9/3)

Líder 18-49: CSI (1,2)

NOTA: Os números acima divulgados são preliminares e estão sujeitos a modificação. Incluem audiência ao vivo e DVR para exibição na mesma noite

O TOP 10 DAS TV’S PAGAS AMERICANAS NA 4ª FEIRA, 16/4/2014
A lista abaixo se refere aos programas de horário nobre (excetuando-se intervalos comerciais), transmitidos entre as 20 e 23h (horário da costa leste)
Programa Canal Espectadores (em milhões) Média 18-49
The Big Bang Theory – reprise (22h) TBS 2,596 1,0
American Dad! – reprise (22h30) Adult Swim/Cartoon Network 2,245 1,0
The Big Bang Theory – reprise (21h30) TBS 2,433 0,9
American Pickers (21h) History 3,599 0,9
American Dad! – reprise (22h) Adult Swim/Cartoon Network 2,069 0,8
Bring It! (22h) Lifetime 1,900 0,8
The Big Bang Theory – reprise (21h) TBS 1,950 0,7
Down East Dickering (22h) History 2,069 0,7
Teen Mom 2 – episódio especial (22h) MTV 1,133 0,6
Deal with It (22h30) TBS 1,289 0,6
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As primeiras datas já confirmadas para a temporada de premiações da mid-season 2015


Golden Globes, PGA Awards, SAG Awards, DGA Awards, Grammy e Oscar

Da redação TV em Análise

Reprodução/Facebook/AMPAS/02.03.2014


Temporada de premiações 2015: portas abertas

Com a confirmação, na quinta-feira (17), do cronograma de atividades da 87ª edição do Oscar, marcada para o dia 22 de fevereiro (domingo), e informações anteriores, o calendário de premiações da mid-season 2015 começou a tomar forma. A marcação do Oscar para essa data evita choque direto com o primeiro dia de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Carnaval de rua do Rio de Janeiro, que acontece no domingo anterior, 15 de fevereiro. A medida, adotada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS, na sigla em inglês), alivia a barra da Rede Globo na transmissão em sistema aberto e faz a emissora ter a companhia do canal pago TNT na exibição para o Brasil. Como é praxe, a tevê da famíglia Marinho “empurra” sua (não) transmissão do Oscar para após o Big Brother, sabe Deus por qual razão. (Não) transmissão, pelo seguinte: até 1986, era costume dos comentaristas globais “pular” pontos da tradução dos mestres de cerimônia do Oscar sob o argumento de que “esse assunto não interessa aos brasileiros”(*). Tal qual o calendário de eventos já confirmados por sindicatos e associações artísticas com vistas à temporada de premiações de janeiro-fevereiro de 2015 (os sindicatos técnicos – VES, CDG, ASC, MPSE, CAS, ADG, WGA, MUAHSG, ACE – apresentarão as datas de suas premiações posteriormente):

11/1 (domingo)
72º Golden Globe Awards

24/1 (sábado)
26º PGA Awards

25/1 (domingo)
21º SAG Awards

7/2 (sábado)
67º DGA Awards

8/2 (domingo)
57º Grammy

22/2 (domingo)
87º Oscar

(*)Para esse conceito, recomenda-se a leitura de “Uma noite para quem não dorme”, reportagem de Artur Xexéo publicada no Jornal do Brasil de 23 de março de 1986. A frase completa é: “É uma piada local, sem interesse para o espectador brasileiro”.

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Por Copa, Band empurra concursos estaduais para a partir de maio; Miss Brasil 2014 será eleita em 20 de setembro


Apenas o Pará vai eleger candidata durante o Mundial da FIFA, em junho

Da redação TV em Análise

Daniel Costa/Diário Online/08.05.2013


Miss Pará: concurso de 2014 será durante a Copa

Com apenas duas candidatas estaduais já eleitas – a amazonense Ytala Oliveira e a gaúcha Marina Helms, a 60ª edição do Miss Brasil começa a ser formatada pela Enter, empresa de eventos da Rede Bandeirantes, com um cronograma de certames regionais que contempla a realização de cinco deles antes da Copa do Mundo FIFA: Bahia (3/5), Pernambuco (17/5), Paraná (23/5), Rio Grande do Norte (29/5) e Mato Grosso (7/6). Esses Estados receberão, ao menos, um jogo do Mundial, que vai de 12 de junho a 13 de julho. Durante esse período, apenas o Pará (que não vai receber jogos da Copa) vai eleger sua candidata, em 27 de junho.
No total, 10 concursos estaduais válidos pela etapa brasileira do Miss Universo 2014 estão programados para acontecerem antes da Copa. Além dos citados, Amapá (10/5), Acre (31/5), Piauí (31/5), Maranhão (6/6) e Santa Catarina (7/6) também realizarão seus certames no período.
Após o Mundial da FIFA, 15 Estados e o Distrito Federal realizarão seus certames ou indicarão suas candidatas com vistas ao Miss Brasil 2014, cuja sede está indefinida. O primeiro certame dessa fase será em Alagoas, em 17 de julho. Considerado evento-chave pela Band, a concurso de São Paulo está marcado para o sábado, 9 de agosto. Segundo fontes da Enter, a data da escolha da representante brasileira no Miss Universo 2014 está, a princípio, marcada para o dia 20 de setembro (sábado).
Estados com mais tradição como Rio de Janeiro e Minas Gerais ainda não decidiram como nem quando vão realizar seus respectivos concursos.

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A audiência americana da terça-feira, 15 de abril de 2014, noite de definição dos 12 finalistas da sexta temporada do The Voice


Reality musical obriga ABC a mudar horário de Agents of SHIELD em desfavor de comédias à beira do corte e derrota NCIS entre público jovem adulto

Da redação TV em Análise

Trae Patton/NBC/Divulgação


Treinadores do Voice: aplauso geral com o final dos playoffs

A definição dos 12 finalistas da sexta temporada de The Voice ajudou a NBC a liderar entre os telespectadores na faixa de 18 a 49 anos na faixa das 20h, com média de 2,9 pontos, contra 2,1 registrados por NCIS (CBS). Em comparação à semana passada, a competição musical (único reality das noites de terça-feira) teve crescimento de 800 mil telespectadores. No mesmo período, a trama militar perdeu 500 mil telespectadores apesar de ter liderado em seu horário de exibição.
Às 21h, as duas comédias da NBC registraram crescimento de público – About a Boy fechou com 100 mil telespectadores a mais em relação à semana passada, enquanto Growing up Fisher registrou crescimento de 500 mil telespectadores. Pesou a favor desses números a decisão da ABC de transferir o inédito de Marvel’s Agents of SHIELD para essa faixa. Tradução: a trama da Marvel registrou 800 mil telespectadores a mais que o inédito de The Goldbergs exibido na semana passada. E deu 2,6 milhões de telespectadores a mais em relação à ameaçada Trophy Wife, que deve “morrer” na primeira temporada. Como consequência, NCIS: Los Angeles perdeu 300 mil telespectadores no período.
Às 22h, Chicago Fire manteve-se estável em total de telespectadores, mas registrou crescimento de 0,2 ponto na média em relação ao retorno de seus inéditos na semana anterior. Na retaguarda, Person of Interest liderou com índices modestos em seu retorno de inéditos, apenas para cumprimento de tabela: a trama já está renovada para sua quarta temporada. Como tapa-buraco, Celebrity Wife Swap iniciou temporada com números melhores que os registrados pela decepcionante Mind Games.
No escopo do horário nobre, a CBS liderou a disputa de telespectadores, registrando 14 milhões (800 mil a mais em relação à semana passada), média de 8,9 e share domiciliar de 15 pontos. Na vice-liderança, a NBC registrou 300 mil telespectadores a mais e fechou a noite com 8,4 milhões, média de 5,4 e share de 9. Atrás, a ABC registrou 3,8 milhões de telespectadores (400 mil a mais), média de 2,5 e share de 4. Por fora da disputa, a FOX teve 2,3 milhões de telespectadores, média de 1,5 e share de 2. Por fim, a The CW fechou a noite com 1,55 milhão de telespectadores, média de 1 e share de 2.
Na faixa 18-49, a NBC liderou a noite com 2,1 pontos de média – 0,1 ponto a mais que a segunda colocada, a CBS. Mais atrás, a ABC registrou 1,3, contra 1 ponto da FOX e 0,7 da The CW.
Hora por hora (horários da costa leste americana), os dados da Nielsen Media Research:

20h

CBS: NCIS (16,7 milhões de telespectadores, 10,6/17 domiciliar)
NBC: The Voice (11,6 milhões, 7,3/12)
ABC: Marvel’s Agents of SHIELD – reprise (3,3 milhões, 2,3/4)
FOX: Glee (2,45 milhões, 1,6/3)
The CW: The Originals (1,45 milhão, 1,0/2)

Líder 18-49: The Voice (2,9)

LEAD-OUT

21h

CBS: NCIS: Los Angeles (14,7 milhões, 9,3/15)
NBC: About a Boy (7,2 milhões, 4,7/7)/Growing Up Fisher (6,1 milhões, 3,9/6)
ABC: Marvel’s Agents of SHIELD (5,1 milhões, 3,1/5)
FOX: New Girl (2,2 milhões, 1,5/2)/The Mindy Project (1,9 milhão, 1,3/2)
The CW: Supernatural (1,7 milhão, 1,0/2)

Líder 18-49: NCIS: Los Angeles (2,1)

22h

CBS: Person of Interest – retorno de inéditos (10,65 milhões, 6,9/12)
NBC: Chicago Fire (7 milhões, 4,7/8)
ABC: Celebrity Wife Swap – estreia de temporada (3,1 milhões, 2,1/4)

Líderes 18-49: Chicago Fire e Person of Interest (1,7)

NOTA: Os números acima divulgados são preliminares e estão sujeitos a modificação. Incluem audiência ao vivo e DVR para exibição na mesma noite

O TOP 10 DAS TV’S PAGAS AMERICANAS NA 3ª FEIRA, 15/4/2014
A lista abaixo se refere aos programas de horário nobre (excetuando-se intervalos comerciais), transmitidos entre as 20 e 23h (horário da costa leste)
Programa Canal Espectadores (em milhões) Média 18-49
The Game (22h) BET 2,592 1,2
The Big Bang Theory – reprise (22h30) TBS 2,870 1,2
The Big Bang Theory – reprise (22h) TBS 2,935 1,1
American Dad – reprise (22h30) Adult Swim/Cartoon Network 2,406 1,1
The Big Bang Theory – reprise (21h30) TBS 2,643 1,0
The Big Bang Theory – reprise (21h) TBS 2,384 0,9
Tosh.0 (22h) Comedy Central 1,537 0,9
American Dad – reprise (22h) Adult Swim/Cartoon Network 1,922 0,9
The Big Bang Theory – reprise (20h30) TBS 2,164 0,9
Awkward – estreia de temporada (22h) MTV 1,629 0,8
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As curvas da ex-apresentadora de misses da Band Adriane Galisteu na Playboy de agosto de 2011


Ensaio foi realizado na praia de San Pietro di Positano e no Palazzo Santa Croce, no sul da Itália, dois meses e meio antes de apresentar a 60ª edição do Miss Universo num camarote do Credicard Hall paulistano a serviço da emissora

Fotos J.R. Duran/Playboy/Reprodução

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Assunto da semana: Efron pegou O’Brien na mentira


A piada protética do MTV Movie Awards 2014 segundo Conan

Lucy Nicholson/Reuters/13.04.2014

A 23ª edição do MTV Movie Awards, realizada no último domingo (13), no Nokia Theatre de Los Angeles, se revelou tão falsa quanto a segunda pele usada pelo apresentador Conan O’Brien para fazer de paspalhos os 2,8 milhões de telespectadores que assistiram ao “Oscar alternativo” nos Estados Unidos – descontadas as audiências mundo afora. A resposta de Zac Efron à paspalhice do apresentador de talk-shows de final de noite soou como um alerta aos consumidores de sétima arte: não venda gato por lebre. Do contrário…

Matt Sayles/Invision/Associated Press/13.04.2014

Reprodução/MTV

Posto em plano secundário em meio à penca de apresentadores e apresentadoras de categorias, atos musicais e/ou tributos (inclusive a “carioca” da Flórida Jordana Brewster no réquiem a Paul Walker), O’Brien se tornou igual a LL Cool J na entrega dos Grammys: pontuava alguma coisa ou outra, com poder reduzido de piadas. Nada que tenha lembrado o estardalhaço que provocara em seu canal de YouTube (TeamCoco) ao confirmar o convite da MTV para (não) comandar o Movie Awards 2014. Seguem se as explicações abaixo.

Kevork Djansezian/Getty Images para MTV/13.04.2014

O barulho que a MTV fizera em cima do chamamento de Cameron Diaz, Leslie Mann e Kate Upton para apresentar um só segmento do Movie Awards, a começar do bombardeio de chamadas com as três, diminuiu bastante a importância de Conan como mestre de cerimônias do evento. Reduziu-o a ator coadjuvante de um evento do qual tinha sido contratado para elenco principal. Em miúdos, ridicularizou ainda mais a credibilidade da premiação, a julgar pela escolha de Jogos Vorazes: Em Chamas pelo público como Filme do Ano. Filme?

Frederick M. Brown/Getty Images/13.04.2014

Em um ano em que produções como Clube de Compras Dallas e 12 Anos de Escravidão levaram premiações importantes no Oscar e premiações prévias (inclusive de sindicatos técnicos), a premiação tripla de Em Chamas soou como uma bofetada na cara de quem prefere filmes de ator (Jared Leto, agraciado por melhor transformação), diretor (Alfonso Cuarón) ou roteirista (John Ridley). Para efeito de indicação ao Primetime Emmys, esta edição dos Movie Awards deixou a desejar em termos de produção. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (20/4)

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Paulo Nogueira: O declínio do Jornal Nacional é irreversível


A real causa se chama internet

Por Paulo Nogueira
Do Diário do Centro do Mundo

Reprodução/TV Globo


Velhos tempos, com audiências de 70%

Nos anos 1980, quando eu era um jovem repórter da Veja, a redação, no sétimo andar do prédio da Abril na marginal do Tietê, se alvoroçava quando batiam 8 da noite.
Uma televisão, no fundo da redação, começava a passar o Jornal Nacional. A redação parava, mesmo em dias de fechamento, e só voltava a funcionar quando o JN terminava.
Não era só a Veja que parava. Era o Brasil. O JN tinha então 70% de audiência, em média. Às vezes mais. Ditava a agenda política e econômica do país. Roberto Marinho — que na busca de favores da ditadura dizia que a Globo era “o maior aliado” dos generais na mídia, conforme mostram documentos de Geisel reunidos em livro — teria afirmado que notícia era o que o JN dava.
Para mim, o JN acabaria com minha saída da Veja rumo à Exame, em 1989. Perdi o hábito de vê-lo e jamais senti falta. Não voltei a ver sequer quando trabalhei na Globo, em meados dos anos 2000. Nas reuniões do Conselho Editorial da Globo, às terças de manhã, eu chegava sem ter a mínima ideia do que o JN dera ou deixara de dar, e tinha uma certa dificuldade em me engajar em algumas conversas.
Muita gente fez o que fiz, por variados motivos. (O meu foi o incômodo em ver tanto foco em desgraças depois de ter visto o JN, na ditadura, mostrar um país paradisíaco aos brasileiros. Isso contribui para a nostalgia de alguns inocentes pelos ‘bons tempos’ dos militares. Também o conteúdo influía bem menos na Exame do que na Veja.)
Todas essas reminiscências me ocorrem ao ler que esta semana o Jornal Nacional bateu seu recorde negativo de audiência ao chegar a 18%.
É uma derrocada notável – e irremediável. Em alguns anos, os 18% parecerão muito diante da audiência que sobrará para o principal telejornal do Brasil.
O que ocorreu?
A tentação é dizer que é a ruindade técnica do JN que afastou o público. Mas, mesmo pobre o jornalismo do JN, não é esta a razão primeira do declínio.
Isto quer dizer que não adiantaria nada – pelo menos quanto ao Ibope — trocar o diretor de telejornalismo da Globo, Ali Kamel, por alguém mais criativo e talentoso. Ou tirar Bonner, que já deve ter mais seguidores no Twitter que espectadores no telejornal que apresenta.
A real causa se chama internet.
A internet é uma mídia que os analistas classificam como “disruptora”: ela não se integra às demais, como sempre aconteceu na história do jornalismo. Ela mata.
As demais mídias – tevê aberta incluída – são progressivamente engolidas pela internet.
A situação do JN é análoga à que enfrenta a Veja. A revista definha em circulação, publicidade, influência, importância – em tudo, enfim. Não adianta trocar o diretor de redação. Mesmo que a Veja voltasse a ter a qualidade notável da década de 1980, sob o comando dos diretores JR Guzzo e Elio Gaspari, nem assim os leitores retornariam, porque o produto se tornou obsoleto como uma carroça quando despontaram automóveis nas ruas.
O milagre da Globo, hoje, é conseguir faturar como nunca, com audiências em colapso em todas as frentes, dos telejornais às novelas.
Proporcionalmente, a Globo ganha em publicidade mais do que ganhava quando alcançava três ou quatro vezes mais pessoas. Esta é a raiz da fortuna da família Marinho, a mais rica do Brasil.
O milagre se deve a uma coisa chamada BV, Bônus por Volume, uma espécie de propina que é paga às agências de publicidade para que anunciem na Globo.
Foi uma invenção de Roberto Marinho, depois seguida pelas outras grandes empresas de mídia do país, mas com resultados insignificantes se comparados aos da Globo.
Hoje, muitas agências dependem do BV para sobreviver.
Graças a isso, com cerca de 20% do mercado de mídia, a Globo tem 60% do bolo publicitário, uma bizarrice.
Isso vai mudar quando os anunciantes – que afinal pagam a conta – se recusarem a pagar tabelas cada vez maiores por produtos que alcançam cada vez menos pessoas.
Quanto ao Jornal Nacional, vive em boa parte das audiências passadas.
Políticos que fizeram carreira vendo-o influir tanto, sobretudo nos anos 70 e 80, parecem guardar dele a imagem poderosa de antes.
É a geração que está hoje no poder. “O pessoal morre de medo de 30 segundos do Jornal Nacional”, me disse recentemente um desses políticos.
Ele estava falando da dificuldade em fazer o Congresso discutir a regulação da mídia. Por isso, mesmo com uma audiência raquítica, o JN continua a ser um fator de obstrução de avanços sociais, uma espécie de Bastilha nacional.
Novas gerações de políticos vão ver o JN não pelo que foi, mas pelo que é: um programa minguante, cada vez visto por menos gente e, por isso, menos influente a cada dia.
Que venham as novas gerações, até por isso.

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